Pagar uma comissão de manutenção todos os meses só para ter uma conta à ordem deixou de fazer sentido. Em 2026, o mercado português oferece várias contas verdadeiramente gratuitas, com cartão de débito, MB Way e abertura 100% online em poucos minutos. Se ainda vê descontos mensais na sua conta a título de "manutenção", este guia mostra-lhe exatamente como mudar isso — e quais as opções a considerar.
O que são (afinal) as comissões de manutenção?
São valores que o banco cobra periodicamente apenas por manter a sua conta à ordem aberta, independentemente de a usar muito ou pouco. Podem parecer pequenas — cinco ou seis euros por trimestre — mas, ao longo de um ano, e somadas a outras comissões (cartões, transferências, levantamentos), acabam por pesar de forma real no orçamento familiar.
A boa notícia: a concorrência das fintechs e a digitalização dos bancos tradicionais tornaram estas comissões evitáveis para a maioria das pessoas.
A opção garantida por lei: Serviços Mínimos Bancários
Antes de olhar para os bancos digitais, vale a pena conhecer um direito que muitos portugueses desconhecem. A Conta de Serviços Mínimos Bancários (CSMB) é um regime previsto na lei que qualquer instituição autorizada a receber depósitos em Portugal é obrigada a disponibilizar.
O custo anual está limitado por lei a 1% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS). Com o IAS de 2026 fixado em 537,13 €, isso significa um custo máximo de cerca de 5,37 € por ano — um valor quase simbólico. Por esse montante tem direito a:
Cartão de débito;
Levantamentos em Multibanco;
Pagamentos e um conjunto de transferências SEPA (nacionais e europeias);
Acesso ao homebanking.
Atenção a uma condição importante: para aderir a este regime não pode ser titular de outra conta à ordem ativa em Portugal. Se já tem uma conta normal, terá de a converter em conta de serviços mínimos. Para aderir, basta dirigir-se a um balcão e pedir, de forma expressa, a abertura ou conversão.
Contas digitais sem comissões: as alternativas mais populares
Para quem está à vontade com aplicações no telemóvel e não precisa de operações complexas, os bancos digitais são, hoje, a forma mais simples de ter uma conta a custo zero. Eis algumas das opções mais conhecidas no mercado português em 2026:
ActivoBank — um dos pioneiros das contas digitais em Portugal, sem comissão de manutenção. Tem a vantagem de combinar a gestão digital com alguns balcões físicos espalhados pelo país, o que agrada a quem gosta de ter um apoio presencial à mão.
moey! — banco 100% digital do grupo Crédito Agrícola, sem comissões de manutenção de conta nem do cartão de débito, com associação a MB Way e apoio ao cliente alargado.
Openbank e Bankinter Online — soluções digitais sem comissão de manutenção, com transferências SEPA e gestão totalmente pela app.
Revolut (plano Standard) — não cobra manutenção e oferece levantamentos gratuitos na zona euro; é especialmente útil para quem viaja ou faz pagamentos em moeda estrangeira (atenção: o envio do cartão físico pode ter custo).
N26 (plano Standard) — conta digital sem comissão de manutenção, com design simples e funcionalidades de organização de orçamento.
Nota: as condições mudam com frequência. Antes de abrir qualquer conta, confirme sempre os custos e limites atuais no site oficial do banco.
Como escolher a conta certa para si
"Banco digital" não significa automaticamente "sem custos". Em muitos casos a conta base é gratuita, mas há limites, planos premium ou comissões em serviços específicos. Antes de decidir, faça-se estas perguntas:
Uso a conta sobretudo em Portugal ou viajo muito? Para uso nacional, quase todas servem; para câmbio e estrangeiro, soluções como a Revolut ou a Wise costumam sair mais em conta.
Preciso de balcão físico? Se sim, o ActivoBank é dos poucos digitais com presença física.
Quantas transferências faço por mês? Algumas contas só oferecem SEPA gratuitas até certo limite.
Quero rentabilizar o dinheiro parado? Alguns bancos integram poupança ou investimento na própria app.
Cuidados a ter (as "comissões escondidas")
Mesmo numa conta sem manutenção, fique atento a:
Câmbio: taxas de conversão pouco transparentes em pagamentos no estrangeiro;
Cartão físico: algumas contas cobram o envio ou um cartão adicional;
Levantamentos: podem ter limites gratuitos mensais;
Planos premium: funcionalidades atrativas que migram para versões pagas.
Perguntas frequentes
Vale a pena mudar de banco só para fugir às comissões?
Sim, na maioria dos casos. A abertura é online e rápida, e a poupança anual é garantida. Pode até manter a conta antiga durante a transição das domiciliações.
As contas sem comissões são seguras?
Os bancos a operar em Portugal estão sujeitos a supervisão e os depósitos estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos (ou equivalente europeu) até ao limite legal por titular e por instituição.
Posso ter mais do que uma conta sem comissões?
Sim, exceto no caso da Conta de Serviços Mínimos Bancários, que exige que não tenha outra conta à ordem ativa.
Conclusão
Em 2026 já não há razão para pagar para ter uma conta à ordem. Entre os Serviços Mínimos Bancários garantidos por lei e a oferta crescente de bancos digitais sem comissões, qualquer pessoa pode reduzir despesas fixas com poucos minutos de tratativas. O essencial é comparar condições, confirmar os custos atuais e escolher a conta que melhor se adapta ao seu dia a dia.
Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro. As condições, comissões e taxas indicadas podem mudar; confirme sempre a informação junto da instituição antes de tomar qualquer decisão.
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