Não é ficção científica. Os astrónomos já o descobriram, já lhe deram nome e já sabem o que tem lá dentro. A resposta vai deixar-te sem palavras.
Imagina um planeta onde não existem rochas, nem areia, nem água. Em vez disso, a superfície inteira — e o interior — é composta por carbono sob pressão tão extrema que se transformou em diamante puro. Parece saído de um livro de ficção científica, mas este mundo existe mesmo. Chama-se 55 Cancri e, e foi descoberto pelos astrónomos em 2004.
Durante anos foi classificado como um exoplaneta comum. Depois, em 2012, investigadores das Universidades de Yale e de Cambridge publicaram um estudo que mudou tudo: a composição química deste mundo sugere que até um terço da sua massa pode ser diamante. Para ter noção da escala — estamos a falar de uma massa equivalente a três vezes a da Terra, em diamante.
55 Cancri e tem aproximadamente o dobro do tamanho da Terra e oito vezes a sua massa. Orbita a sua estrela tão de perto que um "ano" lá dura apenas 18 horas terrestres. A temperatura na superfície ronda os 2.100 graus Celsius.
Como é que um planeta se torna diamante?
Tudo começa com a composição da estrela que o planeta orbita. A estrela 55 Cancri A, ao contrário do nosso Sol, tem uma proporção muito elevada de carbono em relação ao oxigénio. Quando um sistema solar se forma, os planetas herdam a química da sua estrela. Com tanto carbono disponível e pressões internas colossais, o resultado é inevitável: o carbono comprime-se até atingir a estrutura cristalina do diamante.
Na Terra, o diamante forma-se a centenas de quilómetros de profundidade, onde a pressão é enorme. Em 55 Cancri e, essa pressão existe em toda a extensão do planeta — da crosta ao núcleo. É como se a Terra inteira estivesse sujeita às condições do seu próprio manto mais profundo.
Quanto valeria este planeta?
É a pergunta que toda a gente faz — e a resposta é simultaneamente fascinante e absurda. Economistas e astrónomos fizeram as contas por curiosidade: se fosse possível trazer apenas uma fração minúscula do diamante de 55 Cancri e para a Terra, o mercado global de diamantes colapsaria instantaneamente. O valor seria tão astronómico que deixaria de ter significado prático.
Um diamante vale porque é raro. Num planeta feito de diamante, a raridade desaparece — e com ela, o valor. É um paradoxo cósmico perfeito: a maior riqueza do universo seria, em termos práticos, inútil.
Já conseguimos ver este planeta?
Sim — e de forma surpreendentemente detalhada para algo tão distante. Em 2016, o telescópio espacial Spitzer da NASA conseguiu observar 55 Cancri e em luz infravermelha, mapeando variações de temperatura na sua superfície. Os dados sugeriram que o planeta pode não ter uma atmosfera significativa, o que significa que a sua superfície fica exposta diretamente à radiação brutal da estrela.
Com o Telescópio Espacial James Webb, lançado em 2021, os cientistas têm agora ferramentas muito mais poderosas para estudar este mundo em detalhe. Os primeiros dados do James Webb sobre 55 Cancri e foram publicados em 2023 e indicaram a possível presença de uma atmosfera secundária — o que tornou este planeta ainda mais misterioso e intrigante.
Há mais planetas de diamante por aí?
Provavelmente sim. Os astrónomos acreditam que planetas ricos em carbono podem ser relativamente comuns no universo, especialmente em sistemas estelares onde a proporção carbono-oxigénio é elevada. Existe inclusivamente uma categoria de estrelas — as anãs brancas — que, ao esgotar o seu combustível nuclear, colapsam sob pressão tão extrema que o seu núcleo de carbono pode cristalizar em diamante. Há estrelas mortas que são, literalmente, diamantes gigantes flutuando no espaço.
Curiosidade bónus: Em 2004, os astrónomos descobriram uma anã branca a 50 anos-luz da Terra cujo núcleo cristalizado tem cerca de 10 bilhões de triliões de triliões de quilates. Chamaram-lhe informalmente "Lucy" — em homenagem à canção dos Beatles "Lucy in the Sky with Diamonds".
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