QUAL A COR DO CAVALO BRANCO DE NAPOLEÃO?

Pegadinha velha essa, né? Na minha época de escola sempre tinha sempre um engraçadinho que fazia essa pergunta. E se o moleque demorasse um pouquinho pra responder já era zoado. A resposta é óbvia? Será?! Vou recorrer à História pra tentar solucionar essa questão “misteriosa”.

Antes, eu queria te propor uma reflexão. Hoje, no Brasil, qualquer vereadorzinho mal-acabado tem dois ou três carros na garagem. Fora o veículo oficial, que só pode ser utilizado no desempenho da função. Sei… Então, você acha que o poderoso general Napoleão Bonaparte, imperador da França entre 1804 e 1815, tinha apenas um cavalinho pra chamar de seu?

Aliás, durante as batalhas, era preciso fazer um rodízio nas montarias – os cavalos eram trocados pra aguentar o tranco nas longas e cansativas jornadas. Além disso, tinha que ter uns pocotós na reserva caso o titular se machucasse, ou pior, batesse as ferraduras.   
 
Tem outra: ao contrário de Alexandre, o Grande, que só cavalgava com o seu cavalo Bucéfalo, Napoleão não tinha uma montaria predileta: o que vinha ele traçava, quer dizer, montava.   
   
De acordo com o historiador especialista em cavalos, ops, em Napoleão, um tal de Jean Tulard, o francês teve 129 pangarés à disposição durante a sua jornada épica. E devia ter um montão de brancos. Até mulas existiam no plantel. Mas a briga pra ver quem é o cavalo branco da charada é acirrada e se dá entre dois equinos. Ambos eram árabes.

De um lado do haras: Marengo – foi adquirido na campanha militar no Egito em 1799. Seu nome foi uma homenagem à batalha de Marengo – uma região no norte da Itália. Esse animal levou no lombo o imperador a várias batalhas históricas, incluindo Austerlitz, Wagram e Jena. Ficou tão famoso que seu esqueleto está no Museu Nacional do Exército, em Londres. 1 a 0.

Do outro: Vizir – foi um presente do sultão do Império Otomano, Selim III. Ele participou das batalhas de Iena e Eylau, entre 1806 e 1807, contra os exércitos prussiano (alemão) e russo. Amigo fiel, Vizir acompanhou seu dono até no exílio temporário na ilha de Elba. Quando Bonaparte foi derrotado na fatídica Batalha de Waterloo, homem e animal foram separados e nunca mais se reencontraram. Triste… Foi empalhado e encontra-se no Museu das Forças Armadas, em Paris. 1 a 1.

Mas você sabia que todo esse enrosco por causa da cor do bicho se deve ao quadro “Napoleão cruzando os Alpes”, pintado por Jacques Louis David? A tela foi uma encomenda do rei da Espanha. O artista representou Napoleão todo estiloso, empinando um belíssimo garanhão branco e com os Alpes ao fundo. O soberano francês gostou tanto que pediu (mandou, né?) o pintor fazer mais três versões da mesma obra. Só que agora tinha cavalo marrom, amarelado e cinza. O artista aproveitou o embalo e fez um pra ele também. Então foram CINCO versões desse famoso quadro. 

Toda essa idealização era necessária como símbolo de uma nova era, ressaltando as virtudes militares do imperador. Porque, na real, especialistas afirmam que Napoleão saiu desse conflito galopando numa humilde mula.

E a resposta da pegadinha? Bom, quanto a isso, não tem segredo: se o cavalo é branco, a cor é BRANCA! O problema é saber se o cavalo era mesmo branco, se era uma mula… Ouvi dizer que feministas radicais francesas alegam que o tal animal tratava-se de uma égua! Eu é que não vou entrar nessa polêmica. Au revoir!


Autor: Ronaldo Capra
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